Smog

 O termo smog resulta da junção de duas palavras inglesas: smoke (fumo) e fog (nevoeiro) e, tal como o nome indica, é o resultado da mistura de um processo natural (o nevoeiro) com os fumos resultantes da actividade industrial e queima de combustíveis fósseis, originando um tipo de nevoeiro que pode ser altamente tóxico, como o que atingiu o Vale do Mosa (Bélgica, 1930) ou Londres, em 1952.

O nevoeiro é um fenómeno meteorológico, resultante de uma inversão térmica natural: a temperatura do ar diminui à medida que se vai subindo na atmosfera, no entanto, sobretudo durante as manhãs de Inverno, quando ocorre um grande arrefecimento nocturno junto ao solo, as massas de ar das camadas mais baixas da atmosfera (altitudes inferiores a 200m) ficam mais frias que as camadas mais altas aquecidas pelo Sol, originando esta diferença de temperatura a condensação do vapor de água atmosférico, formando-se assim o nevoeiro. Em zonas não poluídas, ele não acarreta qualquer perigo, mas, junto a grandes aglomerados industriais e urbanos a poluição atmosférica pode ser enormemente agravada, já que os poluentes gasosos deixam de poder elevar-se na atmosfera devido à diferença de temperatura das massas de ar, concentrando-se assim junto ao solo, onde podem atingir concentrações perigosas e, até mesmo, tóxicas.

O smog é uma forma de nevoeiro poluidor da atmosfera, já que as partículas sólidas e líquidas (aerossóis) contidas nos fumos industriais e escapes, funcionam como pontos de condensação atmosféricos, agregando-se as moléculas de água em torno deles, originando assim um nevoeiro muito denso e particularmente perigoso devido às propriedades que as partículas em torno das quais ocorre condensação podem apresentar, como uma elevada acidez (por exemplo, ácido sulfúrico) ou toxicidade (por exemplo, metais pesados). Este fenómeno deve-se também a um ciclo de retroalimentação positiva, já que, quanto maior for o número de partículas (núcleos de condensação), mais denso é o nevoeiro, e, quanto mais denso este é, maior dificuldade têm as partículas de se libertarem para as camadas altas da atmosfera. É perigoso, sobretudo, devido à presença de elementos nocivos nas camadas baixas da atmosfera, como os óxidos de carbono, óxidos de azoto, hidrocarbonetos, metais pesados e anidrido sulfuroso - SO2, que facilmente se oxida em SO3, molécula esta que apresenta uma grande afinidade com a água, dando origem a aerossóis de ácido sulfúrico (H2SO4), responsáveis por nevoeiros e chuvas ácidas, com consequências altamente nefastas).

O smog pode assumir diferentes graus de periculosidade, sendo, regra geral, sempre tóxico e prejudicial aos organismos vivos, afectando sobretudo as vias respiratórias e olhos (conjuntivites), estando ainda presente o risco de envenenamento, devido a concentrações elevadas de aerossóis de metais pesados. Pode ainda ocorrer um aumento da incidência de determinados tipos de patologias bacterianas e virulogicas, já que estes agentes infecciosos podem também formar aerossóis, logo, aumentam a sua concentração aérea quando ocorre nevoeiro, incrementando as possibilidades de ocorrerem infecções.

Podem distinguir-se, consoante as propriedades físico-químicas dos aerossóis, dois tipos de smog: smog ácido (resultante, por exemplo, de elevadas concentrações de SO2 atmosférico) e smog fotoquímico oxidante, resultante da decomposição do NO2 pela radiação solar, indo o oxigénio libertado ligar-se a restos de cadeias de hidrocarbonetos voláteis, originando compostos perigosos, como peróxidos de azoto, peroxiacetilenos e perbenzoílo, substâncias extremamente tóxicas para a fauna e flora.

Referências do Documento:
  • smog. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

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