Bioacumulação

Designação dada ao aumento da concentração de compostos químicos, como, por exemplo, os pesticidas, em organismos que vivem num ambiente contaminado por uma variedade significativa de compostos orgânicos. Estes compostos geralmente não são biodegradáveis ou não são metabolizados pelos organismos, de maneira que a sua taxa de absorção e armazenamento é maior que a de excreção. Os produtos químicos são, em geral, armazenados nos tecidos gordos. O DDT é exemplo de um pesticida persistente, que, não sendo facilmente destruído, se vai acumulando na cadeia alimentar em cada organismo de cada nível trófico. A este aumento de concentração da substância tóxica por nível trófico chama-se bioampliação.

Referências do Documento:
  • bioacumulação. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

O Mundo às Portas do III Milénio

O Nosso Mundo
Planeta Terra

O século XX foi, para milhões de pessoas, um século de libertação e de melhoria das condições de vida, mas para outras foi um século de dor e repressão. Foram, sem dúvida, 100 anos de mudanças permanentes a todos os níveis, rumo àquilo que no início do século se considerava ser o progresso, o desenvolvimento, um futuro próspero e risonho. Mas, apesar das grandes conquistas e vitórias que este século trouxe à Humanidade, sabemos hoje que muitas das esperanças depositadas no progresso foram defraudadas, olhando-se agora o futuro com algum receio e desconfiança.
Sob o ponto de vista político, os últimos anos foram marcados por afirmações de liberdade, emancipações políticas, pelo fim do colonialismo, pela emancipação de povos e culturas. Mas este caminho para a liberdade e autodeterminação não é, ainda, generalizado, e em muitos casos implicou conflitos sangrentos com enormes perdas ou deu lugar a novas guerras civis, interétnicas e nacionalistas. São os casos mais recentes a guerra da Bósnia e as limpezas étnicas no Kosovo, numa fase em que, finda a Guerra Fria, se achava ser possível a construção da paz duradoura no mundo. Na última metade do século, toda a geopolítica mundial se altera, o mapa-mundo de hoje é profundamente diferente do de há duas décadas.
Em termos económicos as alterações não são menos importantes. A abertura dos mercados para lá das fronteiras nacionais, a livre circulação de bens e serviços, a descoberta de novos recursos, o livre investimento, o poder de iniciativa individual e a própria democratização crescente de toda a economia em plena globalização são feitos deste século. A plena industrialização e a franca melhoria das condições de vida no pós Segunda Guerra Mundial, que marcaram os países mais desenvolvidos, depressa transformou a sociedade contemporânea numa sociedade de consumo, acomodada e confiante em relação ao futuro. Na China o capitalismo é associado ao comunismo, durante a liderança de Deng Xiao Ping, e mais tarde, após a queda do Muro de Berlim em 1989 e a desagregação do Império Soviético que se consuma em 1992, também a Europa de Leste se vai lançar no caminho do progresso e nas malhas do capitalismo desenfreado. A economia, cada vez mais aberta e global, acaba por sobrepor, muitas vezes, os seus interesses ao interesses políticos de cada país.
Contudo, continua a haver crises financeiras gravíssimas, que os órgãos internacionais (Banco Mundial; Fundo Monetário Internacional) não conseguem solucionar. Continuam a morrer milhares de pessoas com fome e o fosso entre os ricos e os pobres - pessoas, comunidades ou países - é cada vez maior.
A própria economia, que tem sempre em vista minimizar os custos e aumentar os ganhos, cria um novo código de valores assente no lucro pelo lucro; buscando os recursos humanos e materiais onde eles são mais baratos, provocando a desertificação de algumas regiões, altas taxas de desemprego noutras e promovendo directa ou indirectamente a exploração humana. Num século marcado pela afirmação dos Direitos do Homem, as segregações sociais são cada vez maiores, já não baseadas na raça, cor da pele, sexo ou religião, mas assentes numa cultura profundamente materialista em que se mede o que cada um é por aquilo que tem. Desta forma, o capitalismo e a democratização da economia começam a pôr em causa os próprios fundamentos da democracia, criando na sociedade em geral um esvaziamento dos valores da solidariedade e do respeito pelo semelhante. Num mundo cada vez mais aberto, onde as distâncias físicas são facilmente ultrapassadas, o indivíduo encontra-se cada vez mais isolado e só.
O fosso social, a pobreza, a falta de valores e a ambição desenfreada acabam por desembocar em todo o tipo de malefícios típicos da sociedade contemporânea: a criminalidade; a miséria humana; os fanatismos religiosos, rácicos ou étnicos; a violência em todas as sua facetas; o desagregar das estruturas familiares; a opressão; a droga, etc.
Se nos anos 50, 60 e ainda nos anos 70, as descobertas científicas no campo da medicina e o seu combate e erradicação de muitas doenças graves que dizimavam milhares de pessoas criaram uma confiança generalizada nas capacidades da ciência, novas epidemias como a sida e doenças como o cancro vieram deitar por terra essa segurança. O futuro é agora menos promissor e muitas centenas de pessoas, por todo o mundo, recorrem a métodos de cura chamados alternativos e surgem novas religiões e seitas, que satisfazem ou pretendem satisfazer praticamente todo o tipo de necessidades físicas ou espirituais de uma sociedade cada vez mais vazia de conteúdo e esperança.
Por outro lado, essa mesma ciência, no seu percurso ascendente de descobertas e progressos, que indubitavelmente trouxe enormes melhorias para a vida dos homens, vem também criando dúvidas e controvérsias, nomeadamente no que diz respeito à manipulação genética de seres vegetais e animais. Esta é, sem dúvida, uma questão ética e moralmente complexa, que este século deixará ao próximo para solucionar.
Outro problema que fica por resolver é o da crescente pressão demográfica que se sente um pouco por toda a parte, mas muito especialmente nos países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Em 1990 a população mundial estimava-se em 5,3 biliões de pessoas, com uma taxa de crescimento de 90 milhões de pessoas por ano. Estes números são assustadores, numa fase em que se toma consciência das limitações dos recursos, suscitando mais preocupações os recursos hídricos e alimentares. A grande maioria da população encontra-se concentrada em grandes cidades, muitas vezes sem as devidas condições de trabalho e habitação, aumentando de forma alarmante as taxas de indigência e marginalidade. O desemprego e o colapso de muitos sistemas de providência e assistência aos desfavorecidos e de protecção na velhice vão também contribuir para o aumento da pobreza dentro das grandes cidades.
O século XX foi ainda o século do despertar para as questões ecológicas e para os crimes contra o planeta Terra cometidos em todo o mundo, em nome do desenvolvimento, do progresso e da comodidade do Homem. A desertificação do planeta, a poluição dos mares e da atmosfera, o buraco do ozono, a extinção de cerca de 15 mil espécies animais e vegetais por ano, o uso desenfreado dos recursos naturais, as catástrofes ambientais, e as consequências - cada vez mais visíveis - que tudo isto tem na vida das pessoas faz mover a opinião pública em geral, e as gerações mais jovens em especial, no sentido de um novo valor a proteger, um novo objectivo a atingir: o desenvolvimento equilibrado, planeado e em harmonia com a Natureza.
Mas se esta é uma importante lição que nos ficou do final deste século, ficam também todas as mazelas, profundas e irreversíveis, que já foram e continuam a ser inculcadas no Planeta Azul.
Os avanços técnicos na informática e nas tecnologias da informação são outro dos importantes legados deste século. As comunicação por satélite, e a Internet, as chamadas "auto-estradas das informação" permitem realizar um sem-número de coisas que há poucos anos seriam impensáveis. As distâncias físicas tornam-se irrelevantes, tudo está à distância de uma tecla e o Mundo é agora a "aldeia global". O conflito bélico que em 1990 opôs americanos, ingleses e franceses ao exército iraquiano, a Guerra do Golfo, foi visto por milhões de pessoas em directo pela televisão. A informação assume uma importância vital em praticamente todos os quadrantes do quotidiano, sendo mais um valor criado pela sociedade do final do século.
O balanço geral do século XX é complexo e dúbio. De certa forma a voragem do progresso revelou-se um logro em muitos aspectos e a desconfiança em relação ao futuro pode ser um sinal de prudência ou mesmo de amadurecimento. Mas não podem ser esquecidas as conquistas com vista à liberdade, à justiça, à igualdade e à solidariedade que tiveram palco ao longo destes 100 anos. Esses valores, necessários hoje mais que nunca, devem acompanhar a Humanidade neste novo milénio, bem como todas as más recordações, no intuito de não se repetirem os erros do passado.

Referências do Documento:
  • O Mundo às Portas do III Milénio. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Recursos Hídricos

Uma das substâncias minerais mais importantes é a água. A sua presença é crucial para a sobrevivência.
Para produzir os nossos alimentos são necessárias grandes quantidades de água. Por exemplo, para o crescimento de 77 gramas de brócolos são precisos 42 litros de água, produzir 250 mililitros de leite consome 182 litros de água, 28 gramas de queijo consomem 212 litros de água e um ovo 238 litros. Nem sempre a qualidade e a quantidade da água a fornecer estão garantidas.
Calcula-se que na Terra existem 1380x10
15 metros cúbicos de água, o que equivale a ocupar o volume de uma esfera de 1380 quilómetros de diâmetro. A sua distribuição está assim calculada: oceanos - 96,6%; continentes - 3,34%; atmosfera - 0,013%.
A quantidade de água salgada, existente nos mares e oceanos, é cerca de trinta vezes maior que a quantidade de água doce, existente nos continentes e na atmosfera.
A água dos continentes concentra-se quase totalmente nas calotes polares, nos glaciares e subsolo, distribuindo-se a quantidade restante, muito pequena, por rios, lagos, pântanos, zona superficial do solo e biosfera.
A água do subsolo corresponde a cerca de metade da água doce dos continentes, encontrando-se na sua maior parte a profundidades superiores a 800 metros. A biosfera contém cerca de 1/40 000 da água dos continentes.
A água perdida pelos oceanos por evaporação excede a que é recebida por precipitação. A diferença é compensada pela água que lhe chega dos continentes por escoamento.
A precipitação anual sobre os continentes é, em média, de cerca de 800 milímetros. Reparte-se pela evapotranspiração (cerca de 485 milímetros) e pelo escoamento (cerca de 315 milímetros).
A água que circula no ciclo hidrológico pode ser aproveitada pelos humanos, e por isso constitui um bem - recursos hídricos - cujo carácter renovável é consequência de o ciclo da água ser fechado.
Os recursos hídricos classificam-se em potenciais e disponíveis. Os recursos potenciais correspondem à quantidade máxima de água que pode ser captada no seu ciclo. Os recursos disponíveis são inferiores aos potenciais, pois a água, no seu ciclo, nem sempre se apresenta em forma de poder ser aproveitada. Tem ainda de se ter em conta o desajustamento existente entre a qualidade natural da água e a qualidade exigida pela sua utilização. Por outro lado, nem sempre as zonas com maior necessidade de água coincidem com as mais ricas em recursos hídricos.
Os recursos hídricos potenciais podem tornar-se disponíveis na medida em que os humanos intervêm no ciclo da água construindo instalações que permitem captar água e transferi-la no tempo (albufeiras artificiais que se enchem na época da chuva e permitem a utilização da água na estação seca) e melhorar a sua qualidade.
Embora a água seja um recurso renovável, as quantidades disponíveis têm diminuído. Quando a população cresce, o fornecimento de água por pessoa diminui. O crescimento da população mundial a partir de 1970 reduziu a capacidade de fornecimento de água a 1/3 per capita. Também a poluição limita a quantidade de água utilizável. Internacionalmente, o futuro da água no mundo mostra-se muito complexo. A sua utilização é cada vez maior no sector doméstico, na agricultura e na indústria. O seu consumo por países industrializados é preocupante. A poluição dos aquíferos é demasiado significativa e atinge grandes extensões. Um aquífero, uma vez contaminado, é muito difícil de limpar, e quando isso é possível obriga a custos muito elevados.
As águas subterrâneas são, actualmente, em todos os países industrializados, submetidas a um consumo intensivo que leva a prever o seu esgotamento num futuro que pode não ser muito longínquo. Em alguns países, já é preciso, sabendo-se que a depuração das águas de superfície e o tratamento das águas utilizadas não são suficientes para as necessidades, recorrer à dessalinização das águas do mar.



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  • recursos hídricos. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Engenharia Genética (fundamentos)

Ramo da ciência que permite transferir informações genéticas de um organismo para outro organismo. Esta transferência é possível porque todos o seres vivos guardam e transmitem a sua informação genética do mesmo modo, ou seja, através dos ácidos nucleicos. Ao actuar sobre o material genético é possível criar em laboratório proteínas e modificar os seres vivos, sejam animais, plantas ou microrganismos. São várias as aplicações da Engenharia Genética que vão desde aplicações farmacêuticas como vacinas e medicamentos, à indústria alimentar com novos processos de produção e à indústria agro-pecuária com organismos geneticamente modificados.
A capacidade de incorporar genes de uns seres vivos noutros ou a capacidade de produzir proteínas em laboratório implica a execução de determinados processos e a utilização de instrumentos biológicos. A técnica do rADN - ADN recombinante - é um desses processos e consiste na criação em laboratório de substâncias, como a insulina, ou de células, como os hibridomas, ou de seres vivos, como o milho transgénico. No caso da insulina promove-se a incorporação dos genes humanos responsáveis pela produção de insulina num microrganismo que vai passar a produzir insulina humana. Quanto aos hibridomas promove-se a fusão de duas células, um plasmócito que produz anticorpos, mas que não se reproduz, e uma célula de mieloma - tumor maligno de células B - com capacidade infinita de reprodução. Deste modo obtém-se uma nova célula - hibridoma - que reúne as capacidades de produção de anticorpos e de imortalidade. Em relação ao milho transgénico promove-se a incorporação de um gene ou conjunto de genes, com capacidade de resistência a uma determinada praga, no material genético do milho pelo que a nova planta - transgénica - terá a característica de resistência à tal praga. Um dos instrumentos biológicos que permitem a intervenção no genoma são as enzimas de restrição, ou endonucleases, que cortam o ADN numa sequência específica e sempre que encontram essa sequência fragmentam-no. Outro instrumento são as ADN-ligases, enzimas que têm a capacidade de unir os fragmentos de ADN, ou seja, são a "cola" enquanto que as enzimas de restrição são a "tesoura". Quando se isola um determinado gene é importante amplificá-lo, ou seja, fazer muitas cópias desse gene, usando para este efeito o ARNm (mensageiro) correspondente que, por acção da enzima transcriptase reversa, é capaz de sintetizar cADN (ADN complementar) ou a técnica de Reacções de Polimerização em Cadeia (PCR). Outro passo fundamental em todo o processo é o transporte do gene seleccionado para o ADN receptor, para o qual se usam vectores que podem ser os plasmídios ou os vírus. Os plasmídios são pequenos anéis de ADN bacteriano não cromossómico com um ou dois genes, uma sequência de transcrição e capacidade de auto-replicação. Retira-se o plasmídio da bactéria, extraem-se-lhe os genes originais e insere-se-lhe o gene pretendido, e re-injecta-se o plasmídio, agora modificado, na bactéria que se vai cultivar para obter imensas cópias. As bactérias com plasmídios atacam geralmente as células vegetais pelo que, em Engenharia Genética, são utilizadas para obter as plantas transgénicas. Nos vírus, seres que contêm uma sequência genética dentro de uma cápsula proteica, o processo de inserção do gene seleccionado é semelhante ao dos plasmídios e têm a vantagem de a sua utilização como vectores ser possível quer para células vegetais quer para animais. Para garantir o sucesso da replicação do ADN alterado, em plasmídios e vírus, junta-se aos genes a inserir um gene promotor que tem a função de promover a transcrição dos genes.



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  • engenharia genética (fundamentos). In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Engenharia Genética

O princípio da engenharia genética consiste em transferir um gene de células de uma espécie para células de outra espécie, de maneira a dar às células receptoras uma propriedade nova ligada ao gene transferido. O objectivo desta transferência é a produção em grande quantidade de produtos raros (enzimas, hormonas, vacinas, etc.), a obtenção de variedades originais de animais e plantas que apresentem potencialidades novas ligadas ao gene transferido, correcção de defeitos hereditários, etc. A transferência de um gene, qualquer que seja o objectivo, implica sempre três grandes etapas:
  • a) Recombinação in vitro de DNA, em que ocorre a soldagem artificial de um gene a outro fragmento genético - vector - que serve para introduzir o gene na célula receptora. O vector mais usado é o plasmídio, material genético que se reproduz nas bactérias. A soldagem é feita com intervenção de enzimas específicas.
  • b) Clonagem da bactéria portadora do plasmídio recombinado. Por multiplicação da bactéria obtém-se um grande número de bactérias recombinadas.
  • c) Expressão do gene estranho, após a sua transferência, isto é, a obtenção da síntese proteica codificada no gene introduzido.
A engenharia genética desempenha um papel cada vez mais importante nos domínios da saúde, da agricultura e do sector agro-alimentar. Pode dar-se como exemplo a produção de hormonas (insulina, hormona do crescimento), de vacinas, de certos factores de coagulação do sangue, a formação de espécies resistentes, etc.

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  • engenharia genética. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2
Engenharia Genética

Biotecnologia

Numa tradução directa, biotecnologia significa tecnologia biológica, isto é, ramo científico que consiste na aplicação de diferentes técnicas a sistemas vivos, com o objectivo de obter determinados produtos ou efeitos desejados para benefício do homem. Usada desde a Antiguidade, é aplicada a inúmeros campos, desde a produção alimentar à clonagem, passando pelos detergentes e pelos tomateiros transgénicos.
A Biotecnologia é uma área interdisciplinar que tem por base a manipulação de células vivas e/ou das moléculas que as compõem, utilizando uma diversidade de técnicas científicas, por forma a obter um determinado produto, efeito ou resolução para um problema, com interesse antropológico.
Desde sempre o homem utilizou técnicas de manipulação dos sistemas biológicos naturais, cruzando determinados animais ou semeando apenas determinados tipos de plantas, portadores de certas características com interesse. Mas outras técnicas mais elaboradas são utilizadas já desde as antigas civilizações Egípcia e Mesopotâmica, nas quais era vulgar o recurso à utilização de microrganismos fermentativos (determinados tipos de leveduras e bactérias) para o fabrico, praticamente industrial, de alguns produtos alimentares, como a cerveja, o pão e o queijo. No entanto, mau grado a grande utilização destas técnicas desde tempos imemoriais, o grande desenvolvimento da Biotecnologia deu-se, sobretudo, nos últimos trinta anos, estando esses progressos estritamente associados a desenvolvimentos de uma nova área da Biologia, nomeadamente da Genética: a Engenharia Genética.
A Engenharia Genética caracteriza-se pela manipulação do ADN (Ácido Desoxirribonucleico), o material hereditário presente em todas as células dos seres vivos, responsável pela expressão de todas as características hereditárias dos indivíduos. Esta manipulação é feita através do corte das cadeias do ADN por enzimas específicas (enzimas de restrição), as quais, quebrando a cadeia de ácidos nucleicos em locais bem definidos, permitem que outras enzimas (Ligases) realizem a inserção de um (ou mais) genes, previamente seleccionados e isolados do ADN de outros organismos, o qual é responsável pela produção de um determinado produto, ou a expressão de uma determinada característica com interesse, voltando a fechar a cadeia de ADN. Deste modo, conseguem-se obter organismos transgénicos, isto é, com um património genético alterado, possuidores de genes que não eram inicialmente típicos da espécie (por exemplo, a inserção de genes que conferem resistência a determinados herbicidas ou bactérias, em espécies de cultivo, como o milho), e que agora se passam a transmitir de geração em geração, juntamente com o restante ADN da espécie.
Os desenvolvimentos da Engenharia Genética estão intimamente ligados aos desenvolvimentos em outras áreas, como a Genética, a Biologia Celular, a Química, a Física e a Microscopia.
A primeira experiência de Engenharia Genética data de 1944, data em que o americano Avery conseguiu, pela primeira vez, a introdução de ADN estranho em células de Pneumococus (género de bactérias), transmitindo-se a informação por ele codificada de geração em geração. No entanto, foi necessário esperar mais vinte e cinco anos para que investigadores da Universidade de Harvard conseguissem isolar um determinado gene específico (porção de ADN responsável pela expressão de uma determinada característica definida), na bactéria Escherichia coli. Ao entrar na década de 70, estavam então definitivamente abertas as portas à selecção de genes e sua reinserção em outros organismos, formando-se, sobretudo já na década de 80, um novo ramo industrial, responsável pela aplicação da Engenharia Genética à produção industrial de produtos diversificados, geneticamente alterados, como por ex., variedades de plantas de cultivo resistentes a pragas infestantes ou herbicidas e tomateiros que produzem frutos resistentes ao apodrecimento.
As diferentes áreas de trabalho da Biotecnologia (Engenharia Genética, Cultura de Células e Tecidos, Engenharia de Proteínas e de Produtos Alimentares, etc.) são responsáveis por progressos em inúmeras áreas científicas, assim como por alguns dos produtos que consumimos no dia-a-dia. Vejamos alguns exemplos da aplicação da Biotecnologia em diferentes campos:
 
  • Medicina: produção de hormonas (por exemplo: insulina e hormona de crescimento (GH, Growth Hormone) - antes da aplicação das técnicas de Engenharia Genética, era necessário, para produzir apenas uma dose de GH, a disponibilidade de cinquenta glândulas pituitárias de cadáveres); desenvolvimento de Vacinas; testes de gravidez; desenvolvimento de antibióticos; terapia e rastreio genético; produção de tecidos humanos em cultura.
  • Indústria Alimentar: produção de pão, bebidas alcoólicas e produtos lácteos; frutos resistentes ao apodrecimento; alimentos enriquecidos em nutrientes essenciais (particularmente úteis nos países de onde a diversidade alimentar se limita a um a dois alimentos diferentes) e até mesmo fármacos integrados em produtos alimentares (por exemplo: vacinas).
  • Agricultura, Pecuária e Pesca: desenvolvimento de variedades vegetais resistentes à seca, pragas e uso de herbicidas químicos; criação e selecção de variedades de plantas e animais mais produtivas; crescimento rápido de animais (por exemplo, peixes e galinhas) destinados a produção alimentar; aumento da produção de leite.
  • Preservação do Ambiente: preservação do ADN de espécies em risco de extinção para estudo e até possível clonagem; análise e reconstituição de características de seres vivos extintos por análise de ADN; produção de bactérias capazes de digerir hidrocarbonetos (importante no caso dos derrames de petróleo); redução da desflorestação por diminuição da área necessária à agricultura, graças ao aumento da produtividade das culturas; abandono do uso de pesticidas, por criação de variedades vegetais naturalmente resistentes; criação de bactérias capazes de funcionarem como biofiltros, absorvendo poluentes provenientes de chaminés industriais.
  • Indústria química: produção de detergentes; uso de certas estirpes de bactérias como agentes extractores de determinados minerais preciosos a partir de meios com baixa concentração, usando a sua capacidade de concentrarem determinados elementos minerais no seu interior;
  • Indústria Informática: desenvolvimento dos chamados computadores orgânicos, que utilizam células nervosas na elaboração de chips de memória e processamento.
 
Embora os benefícios decorrentes do uso das biotecnologias sejam por demais evidentes, existem, no entanto, alguns receios e críticas relativamente à utilização de algumas técnicas e procedimentos, quer de carácter ético, nomeadamente no campo da criação de cópias completas de seres vivos (clonagem), quer ambiental, sobretudo no que diz respeito à produção de variedades de seres vivos geneticamente alterados, cujo impacto na imensa complexidade que são os ecossistemas naturais nunca pode ser totalmente determinado, podendo a vantagem competitiva conferida artificialmente a determinadas espécies ser o suficiente para provocar extinções em massa de outras. As alterações em hábitos naturais das espécies, por interferência humana, pode também ser um factor cujo impacto negativo é desconhecido. Veja-se o exemplo dos bovinos, naturalmente herbívoros e, no entanto, alimentados com rações que incluem restos de outros animais da mesma espécie: este tipo de canibalismo, segundo alguns cientistas, poderá estar na origem do prião causador da BSE (encefalopatia espongiforme bovina), a conhecida "Doença das Vacas Loucas", motivo pelo qual a União Europeia proibiu o uso de restos de animais na elaboração de rações para bovinos.
 
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  • biotecnologia. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2
Biotecnologia

     

clorofluorocarbonetos (CFC)

Os clorofluorocarbonetos, de abreviatura CFC, são um tipo de composto no qual alguns ou todos os átomos de hidrogénio de um hidrocarboneto (normalmente um alcano) foram substituídos por átomos de cloro e flúor.
A maioria dos clorofluorocarbonetos são quimicamente não reactivos e estáveis a temperaturas elevadas.
São usados como aerossóis propelantes, refrigerantes e solventes e na produção de espuma rígida de empacotamento. O nome comercial mais utilizado para estes compostos é freon, como, por exemplo, o freon 12 que é o diclorofluorometano (CCl
2F2).
Devido ao facto de serem quimicamente inertes, os clorofluorocarbonetos podem difundir-se para a alta atmosfera sem sofrerem alterações. Aí, reacções fotoquímicas provocam a sua separação e estes reagem com o ozono. Por este motivo, o seu uso tem sido desaconselhado.

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  • clorofluorocarbonetos (CFC). In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Aerossol

Um aerossol é uma dispersão coloidal de um sólido ou líquido num gás, isto é, um gás que contém uma suspensão de matérias sólidas ou líquidas sob a forma de partículas muito finas. Se o gás contiver uma suspensão de matérias sólidas, este designa-se de fumo e se contiver uma suspensão de matérias líquidas designa-se de névoa.
Foi em 1929 que o engenheiro e inventor norueguês Erik Rotheim, registou uma patente que descrevia o uso de recipientes de pressão incorporados com uma válvula que libertava o produto sob a forma de spray.
Em 1997 foram produzidos no mundo inteiro aproximadamente 10 biliões de aerossóis, contribuindo a Europa com cerca de 40% deste valor.
Os aerossóis têm aplicação em medicina (para desinfecção e inalação), na alimentação, em cosmética, em produtos para limpeza doméstica, em produtos farmacêuticos e no sector industrial.
Os insecticidas são frequentemente aplicados sob a forma de aerossol (sprays de aerossol), bem como os clorofluorocarbonetos (CFC), de que é exemplo o diclorodifluorometano.
Este procedimento tem vindo a ser criticado uma vez que estes compostos permanecem na atmosfera e conduzem à destruição da camada de ozono.
Desde 1989, todos os produtores de aerossóis decidiram voluntariamente retirar os CFC, excepto numa pequena percentagem de medicamentos de inalação.

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  • aerossol. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2
Aerossol

Poluição Sonora

O ruído, elemento natural da vida, não é facil de definir de maneira satisfatória. Pode ser considerado como um som, desprovido de carácter musical agradável, cuja intensidade pode ir até mais de 140 decibéis.
Com o desenvolvimento da civilização industrial urbana, o ruído atingiu uma importância que não pára de aumentar. É neste sentido que deve ser considerado como um dos elementos poluentes do ambiente.
Os mais notórios efeitos fisiológicos e patalógicos do ruído são a fadiga auditiva, a dissimulação (psicologicamente, o lesado tem tendência a mostrar que ouve), a surdez profissional e os traumatismos acústicos. Outros efeitos podem ainda ser mais graves, tais como as lesões do nervo auditivo provocadas pelos ruídos (traumatismo acústico), que se traduzem por uma perda irreversível do sentido da audição. Outros efeitos ainda manifestam-se ao nível do sono, das dores de cabeça, da falta de apetite e do rendimento do trabalho.

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  • poluição sonora. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Custos Económicos da Poluição

As políticas de controle da poluição têm custos variáveis, consoante os meios tecnológicos empregues e o grau de controle que se pretende. De uma maneira geral, esses custos podem ser repartidos pelo Estado, pela indústria e pelos consumidores.
Mas quais são efectivamente as relações entre a economia de um país e a sua política de ambiente? Algumas políticas ambientais são relativamente baratas, não tendo custos monetários directos, isto é, não envolvendo investimentos por parte da administração. Tais políticas têm, por vezes, custos reais invisíveis. Os custos da política de ambiente têm que ser pagos por algum segmento da sociedade. É o caso das políticas relacionadas com o controlo da poluição produzida pela obtenção de energia e seu uso, a protecção pública de doenças transmissíveis pela água, a conservação do solo e o manuseamento e utilização de matérias tóxicas, a protecção de espécies em extinção, a diminuição da camada de ozono, etc.
A equidade de princípios admite que aqueles que beneficiam das políticas de ambiente as paguem. Nestes, incluem-se as pessoas cujas actividades são reguladas e cuja saúde é protegida por leis contra a poluição. É preciso reconhecer que a imposição de certas regras força as empresas a utilizar novas tecnologias, o que tem os seus custos. Esses custos reflectem-se no preço dos produtos por elas fabricados, e assim afectam os consumidores. O custo do controle de poluição inclui o preço de compra, a instalação, o fornecimento e a manutenção de equipamento próprio e a implementação das estratégias de controlo.
Proibir oficialmente um produto poluente custa dinheiro, porque há perda de emprego e de maquinaria, e porque obriga a novos investimentos com vista ao fabrico de novos produtos.
Em alguns casos, uma medida para o controlo da poluição pode levar à reciclagem de materiais e à evolução tecnológica, revelando um processo menos caro para obter produtos com o mesmo efeito. Na maior parte dos casos, porém, o controlo da poluição é caro. Assim, o resultado de maior regulamentação, para prevenir um mal externo poluente, impõe custos económicos que ultimamente têm sido distribuídos pelo Estado, pela indústria e pelos consumidores.
Os custos do controlo da poluição crescem exponencialmente com o nível de controlo que se pretende conseguir. Isto significa que uma redução parcial da poluição pode ser conseguida com medidas pouco caras, mas um aumento dessa redução requer medidas cada vez mais caras e 100% de controlo é impossível a qualquer custo.
Em muitos casos, as estratégias e as tecnologias para controlo da poluição são conhecidas e estão disponíveis. Os custos do equipamento, trabalho e manutenção são calculados com relativa fiabilidade.
A importância deste controlo torna-se evidente quando se comparam os custos com os benefícios, que se traduzem na qualidade de vida humana e dos componentes ambientais não humanos.
Estudos recentes têm provado que a política ambiental não precisa de diminuir a riqueza de uma nação, podendo transferir a riqueza dos poluidores para o controlo da poluição e para a indústria menos poluente. A indústria da protecção ambiental é geradora de emprego e o argumento de que a protecção do ambiente é má para a economia é infundado. Verifica-se também que os países que têm melhores condições ambientais são aqueles que têm economias mais robustas e melhores taxas de criação de emprego.


Referências do Documento:
  • custos económicos da poluição. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2