Green Living - Ações para Acabar com o Aquecimento Global

Atualmente são poucas as pessoas que negam que o nosso clima está a mudar, mas por outro lado são muitas as que discordam sobre a causa. Se as ações humanas contribuem para o Aquecimento Global, então, na minha opinião, as pessoas devem tomar medidas para travar este grave problema.

Criei esta rubrica "Green Living"  para transmitir as minhas ideias que têm em vista a resolução deste problema. Por isso esta é a primeira de muitas mensagens com "dicas" sobre como acabar com o Aquecimento Global.

  • Reduza a sua produção de resíduos sólidos
  • Escolha os "músculos" em vez das máquinas
    • Evite usar equipamentos que utilizam combustiveis fósseis ou electricidade e que por isso produzem emissões de carbono.
  • Plante àrvores
  • Implemente medidas simples
    • Algumas acções que vos irei propor nas próximas mensagens desta rubrica parecem fortuitas pela sua dimensão, mas na verdade é que o seu efeito cumulativo é fantástico.

Atlas dos Animais - Habitats de Animais - A.A.

Os Animais vivem em todo o Mundo, desde a vastidão gelada aos desertos escaldantes. O local onde vive um animal chama-se o seu habitat. Muitas espécies podem viver juntas no mesmo habitat porque comem tipos de alimento diferentes, ou fazem os seus abrigos em locais diferentes. A vida animal, em qualquer habitat, é uma mistura extraordinariamente equilibrada de espécies e esse equilíbrio pode facilmente ser perturbado.

Os principais tipos de habitats no mundo são:
  • Regiões polares e tundra
  • Florestas de coníferas
  • Florestas de folha caduca
  • Pastagens secas
  • Vegetação enfezada
  • Desertos
  • Florestas equatoriais
  • Pântanos e charcos
  • Montanhas
  • Recifes de coral

Referências do Documento:
  • Edição Original - The Animal Atlas, Londres, Dorling Kindersley, 1992. Edição Portuguesa - Atlas dos Animais, Maria Alice Moura Bessa, Porto, Livraria Civilização Editora, 4ª Edição, 2001, ISBN: 972-26-0798-7

Chernobyl

Sarcófago de Chernobyl

Cidade da Ucrânia, situada a noventa quilómetros de Kiev, em cujos arredores se encontra uma central nuclear, em que ocorreu o pior acidente nuclear de que há registo.

Na noite de 25 para 26 de Abril de 1986, produziu-se uma reacção química em cadeia que escapou ao controlo dos técnicos. Deram-se várias explosões que libertaram material radioactivo (cerca de 8 toneladas) para a atmosfera. Esse material foi transportado para grandes distâncias, atingindo mesmo zonas da França e da Itália e provocando natural preocupação de populações e governantes um pouco por todo o mundo. No dia seguinte, os habitantes da localidade (aproximadamente 30 000) começaram a ser evacuados.

As primeiras análises verificaram desde logo que todo o ecossistema de Chernobyl - água, vida vegetal, etc. - havia sido contaminado. Morreram cerca de trinta pessoas e muitas mais ficaram afectadas pelas radiações, vindo a morrer mais tarde. Ainda hoje as consequências do acidente se fazem sentir: na devastação da paisagem, na elevada taxa de mortes por cancro, nas crianças que nascem com deficiências, etc.

Desde a desagregação da União Soviética, o dinheiro necessário à manutenção da central e à prevenção de acidentes foi escasseando.

Em 1991 nova ameaça surgiu em Cherbobyl - um incêndio deflagrado na central levou ao encerramento do reactor 2.

Este facto levou a Ucrânia a declarar que até finais de 2000 a central nuclear ficaria completamente encerrada. Para que o encerramento se desse em segurança, o país recebeu ajuda monetária internacional.

Em 1996 foi desligado o reactor 1 e a 15 de Dezembro de 2000 o terceiro e último reactor foi desligado, terminando por completo o funcionamento da central nuclear.


Referências do Documento:

  • Chernobyl. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Catástrofes Naturais

Acontecimentos súbitos de origem natural, muitas vezes imprevisíveis, susceptíveis de provocarem vítimas e danos materiais avultados. As catástrofes naturais afectam gravemente a segurança das pessoas, as condições de vida das populações e a estrutura socioeconómica de um país, devido a processos de ruptura entre o ambiente natural e o sistema social.

Durante muitos séculos, as causas das catástrofes limitaram-se a ser exclusivamente fenómenos de origem natural (sismos, erupção de vulcões, furacões, cheias), mas a intervenção humana e a evolução tecnológica provocaram o aumento da frequência de acontecimentos catastróficos súbitos e não planeados. Os efeitos das catástrofes naturais são agravados pelas acções humanas através de comportamentos inconsequentes e negligentes, como, por exemplo, a impermeabilização dos solos, as construções em leitos de cheias, entre tantos outros.

A vulnerabilidade das diferentes sociedades às catástrofes naturais depende do seu grau de desenvolvimento: são mais vulneráveis os países subdesenvolvidos, caracterizados por grande pobreza, elevadas densidades populacionais e sem capacidade tecnológica e financeira para evitar e/ou reduzir os efeitos dos acontecimentos catastróficos.

Para minimizar as consequências dos riscos naturais e evitar que se transformem em catástrofes, as Nações Unidas criaram, em 2000, a ISRD - International Strategy for Disaster Reduction (ou EIRC, Estratégia Internacional para a Redução de Catástrofes), um organismo que tem como duplo objectivo ajudar as comunidades a criar estratégias para a prevenção de catástrofes e aumentar a resistência económica e social das comunidades.

Referências do Documento:
  • catástrofes naturais. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Carta Europeia da Água

A Carta Europeia da Água surge no sentido de dar resposta a um dos grandes problemas que actualmente preocupam a Humanidade: a necessidade de água doce face ao aumento das populações, contaminação dos recursos hídricos e alterações climáticas. Esta preocupação levou o Conselho da Europa a proclamar, no dia 6 de Maio de 1968, em Estrasburgo, a designada Carta Europeia da Água. Esta assenta em 12 pontos.

Sendo o Terra conhecida como o planeta Azul, já que as águas dos oceanos cobrem mais de 70% da sua superfície, e também porque desempenham um papel primordial na sobrevivência de praticamente todas as espécies existentes, a Carta Europeia da Água procura combater os principais problemas associados a sua utilização. Esta carta foi proclamada pelo Conselho da Europa no dia 6 de Maio de 1968, em Estrasburgo, e assenta em 12 pontos:
  • 1. Não há vida sem água. A água é um bem precioso indispensável a todas as actividades humanas.
  • 2. Os recursos de águas doces não são inesgotáveis. É indispensável preservá-los, administrá-los e, se possível, aumentá-los.
  • 3. Alterar a qualidade da água é prejudicar a vida do Homem e dos outros seres vivos que dela dependem.
  • 4. A qualidade da água deve ser mantida a níveis adaptados à utilização a que está prevista e deve, designadamente, satisfazer as exigências da saúde pública.
  • 5. Quando a água, depois de utilizada, volta ao meio natural, não deve comprometer as utilizações ulteriores que dela se farão, quer públicas, quer privadas.
  • 6. A manutenção de uma cobertura florestal adequada, de preferência florestal, é essencial para a conservação dos recursos de água.
  • 7. Os recursos aquíferos devem ser inventariados.
  • 8. A boa gestão da água deve ser objecto de um plano promulgado pelas autoridades competentes.
  • 9. A salvaguarda da água implica um esforço crescente de investigação, formação de especialistas e de informação pública.
  • 10. A água é um património comum, cujo valor dever ser reconhecido por todos. Cada um tem o dever de a economizar e de a utilizar com cuidado.
  • 11. A gestão dos recursos de água deve inscrever-se no quadro da bacia natural, de preferência a ser inserida no das fronteiras administrativas e políticas.
  • 12. A água não tem fronteiras. É um recurso comum que necessita de uma cooperação internacional.

Referências do Documento:
  • Carta Europeia da Água. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Alterações Climáticas no Quaternário

O clima ficou marcado sobretudo pelas manifestações da Era Quaternária (entre 1 milhão e cerca de 25 mil anos), período que coincide basicamente com o aparecimento das sociedades paleolíticas.

Do ponto de vista climático, o Quaternário caracterizou-se por importantes flutuações que conduziram a uma alternância de fases de arrefecimento bastante acentuado (glaciações) com outras caracterizadas por um aquecimento relativo do planeta (interglaciares). Em África, o clima conheceu neste período um momento de abundante pluviosidade, intercalado com outros de tipo árido, denominados interpluviais. Durante os períodos das glaciações, a Europa assistiu a um condicionamento da sua situação climática proveniente de uma imensa massa de gelo concentrada maioritariamente na península escandinava, cobrindo todo o Norte do continente. Estudos recentes concluíram, contudo, que durante o período das glaciações verificaram-se momentos de pequenas oscilações temperadas entremeando as fases frias. Algumas zonas da Europa temperada conheceram, inclusive, durante a última glaciação, um clima semelhante ao que no presente encontramos nas áreas do extremo setentrional do continente. Estas mudanças atingiram de igual modo a Europa Ocidental, embora de forma mais mitigada.


Por seu lado, estas oscilações climatéricas viriam a ter efeitos sobre a evolução geral do planeta. O aumento da temperatura dos períodos interglaciares, por exemplo, era seguido de uma subida do nível das águas marítimas, provocando a movimentação da linha de costa para o interior e a consequente alteração do contorno terrestre.

Todos estes factores influenciam, de forma importante, a proliferação, movimentação, sobrevivência e mobilidade da fauna e da flora, e, em consequência, do próprio Homem.

Referências do Documento:
  • alterações climáticas no Quaternário. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Organismos Geneticamente Modificados (OGM)

Também chamados transgénicos, são organismos que sofreram alterações em relação ao seu património genético. Ou seja, através da tecnologia do ADN recombinante pode alterar-se o material genético, incluindo características genéticas num determinado organismo que, de outra forma, nunca as poderia possuir ou possuía em menor grau.

De um modo geral a inclusão de genes num novo organismo pretende conferir características relacionadas com a capacidade de resistir a doenças e pragas e com a melhoria do valor nutricional.

Para se obter organismos geneticamente modificados recorre-se à técnica do ADN recombinante que utiliza ferramentas específicas tais como as enzimas de restrição, que funcionam como tesouras, pois cortam o ADN. No entanto, não o cortam ao acaso, mas sim em locais específicos, ou seja, permitem cortar a parte que contém o gene ou genes escolhidos. Outra ferramenta importante são as ADN-ligases, enzimas que permitem a colagem entre as pontas de dois segmentos de ADN. Os vectores são mais uma ferramenta importante para este processo, pois são eles que vão transportar o material genético a ser incluído no novo organismo. Os plasmídios e os vírus são os vectores mais utilizados: os primeiros usam-se mais para organismos vegetais e os segundos para animais. Por último temos os promotores, genes que acompanham o material genético a ser inserido, garantindo a expressão do gene ou genes que foram transferidos.

Os OGM apresentam vantagens e desvantagens. Destacam-se como vantagens, a resistência das culturas a pragas e doenças e consequente aumento de produção, e a melhoria nutricional dos alimentos. As principais desvantagens relacionam-se com a disseminação destes organismos, fazendo diminuir as espécies selvagens e provocando uma diminuição da biodiversidade, e com a possibilidade de poderem provocar alergias.

Com o desenvolvimento da capacidade de se produzir organismos geneticamente modificados, pensou-se que poderia estar resolvido o problema da fome, pois seria possível a produção em massa e com menores perdas, ao nível da produção, de mais e melhores alimentos. Este pressuposto está longe de ser conseguido uma vez que produção destes organismos levanta ainda muitas questões e é geradora de grandes controvérsias.
A soja, a colza e o milho foram os primeiros OGM a serem aprovados, na União Europeia, para consumo humano.


Referências do Documento:
  • organismos geneticamente modificados (OGM). In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Ken Saro-Wiwa


Kenule "Ken" Beeson Saro-Wiwa
Escritor e activista político negeriano

Escritor e activista político nigeriano, nascido em 1941, morreu assassinado pelo regime vigente em 1995. Distinguiu-se como dirigente oposicionista. Era líder de um grupo de defesa dos direitos humanos e presidente da Associação de Escritores do país. Ao mesmo tempo, prosseguia uma intensa actividade literária. Escreveu romances, peças de teatro, contos e poemas. Colaborava ainda assiduamente nos jornais e era autor de argumentos para televisão.

Referências do Documento:
  • Ken Saro-Wiwa. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Protocolo de Montreal

O Protocolo de Montreal consiste num protocolo sobre as substâncias que destroem a camada de ozono. Este foi acordado na Convenção de Viena a 22 de Março de 1985 e assinado a 16 de Setembro de 1987 (três conjuntos de ajustes em 1990, 1992 e 1995).

Os seus intervenientes encontram-se conscientes das suas obrigações, impostas pela Convenção, de tomar as medidas apropriadas para proteger a saúde do homem e o ambiente contra os efeitos nocivos que resultam ou podem resultar de actividades humanas que modificam ou podem modificar a camada de ozono.

Reconhecem ainda que as emissões de certas substâncias, à escala mundial, podem destruir de forma significativa a camada de ozono de modo que corra o risco de ter efeitos nocivos na saúde do homem e no ambiente.

Têm ainda consciência dos potenciais efeitos climáticos originados pela emissão destas substâncias e encontram-se determinados a proteger a camada de ozono adoptando medidas preventivas para regulamentar equitativamente o total das emissões mundiais de substâncias que a deteriorem, sendo o objectivo final a sua eliminação, em função da evolução dos conhecimentos científicos e tendo em conta considerações técnicas e económicas. Neste Protocolo foi acordado o seguinte:
  • Artigo 1.º: Definições;
  • Artigo 2.º: Medidas de controlo;
  • Artigo 3.º: Cálculo dos níveis das substâncias regulamentadas:
  • Artigo 4.º: Regulamentação das trocas comerciais com Estados não participantes do Protocolo;
  • Artigo 5.º: Situação especial dos países em vias de desenvolvimento;
  • Artigo 6.º: Avaliação e exame das medidas de controlo;
  • Artigo 7.º: Comunicação de dados;
  • Artigo 8.º: Não conformidade;
  • Artigo 9.º: Investigação, desenvolvimento, sensibilização do público e troca de informações;
  • Artigo 10.º: Assistência técnica;
  • Artigo 11.º: Reuniões das Partes;
  • Artigo 12.º: Secretariado;
  • Artigo 13.º: Disposições financeiras;
  • Artigo 14.º: Relação entre o presente Protocolo e a Convenção;
  • Artigo 15.º: Assinatura;
  • Artigo 16.º: Entrada em vigor;
  • Artigo 17.º: Partes que aderem depois da entrada em vigor;
  • Artigo 18.º: Reservas;
  • Artigo 19.º: Denúncia;
  • Artigo 20.º: Textos autênticos.

Referências do Documento:
  • Protocolo de Montreal. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Parque Nacional da Peneda-Gerês

Criado em 1971 segundo o Decreto-Lei n.º 187/71, de 8 de Maio, o Parque Nacional da Peneda-Gerês abrange uma área montanhosa do Noroeste português, com cerca de 72 000 hectares, que se estende pelos distritos de Viana do Castelo (concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca), de Braga (Terras de Bouro) e de Vila Real (Montalegre), ao longo de cerca de 100 km de fronteira. Desde o planalto de Castro Laboreiro, a norte, até ao da Mourela, a leste, inclui grande parte das serras da Peneda, do Soajo, Amarela e do Gerês, com alguns dos pontos mais altos de Portugal continental: Giestoso (1337 m), Outeiro Alvo (1314 m), Pedrada (1416 m), Loriça (1355 m), Borrageiro (1433 m), Nevosa (1545 m), Cornos da Fonte Fria (1456 m). O Parque Nacional da Peneda-Gerês apresenta um riquíssimo património natural e humano que, pela variedade de paisagem, pela diversidade dos microclimas, pelas espécies vegetais e animais existentes e pelos vestígios históricos de mais de 50 séculos de ocupação humana, satisfez de forma notável os pressupostos para a sua criação. O interesse do seu conteúdo levou ao reconhecimento, como Parque Nacional, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e seus Recursos (UICN).

Segundo a UICN, um Parque Nacional é um território relativamente extenso que apresenta um ou mais ecossistemas pouco ou nada transformados pela exploração e ocupação humanas, oferecendo um especial interesse do ponto de vista científico, educativo e recreativo; no qual a mais alta autoridade do País tomou medidas para proteger os valores nele contidos e que justificaram a sua criação; onde as visitas são autorizadas, sob certas condições, com fins educativos, culturais e recreativos. Em face dos valores existentes e para dar satisfação a estes princípios internacionalmente aceites, permitindo ao mesmo tempo a salvaguarda do património existente e o seu usufruto pelos visitantes, foi estabelecida no Parque Nacional da Peneda-Gerês uma zonagem, donde resultaram duas grandes áreas. Uma delas é periférica (área de ambiente rural), onde se situam os aldeamentos serranos, os campos de cultura que lhes servem de apoio e os terrenos de pastagens, isto é, os locais onde a influência humana mais fortemente se faz sentir. A outra (área de ambiente natural), além de protegida pela zona envolvente, e de difícil acesso, é por excelência a área de protecção.

A existência de comunidades humanas neste Parque Nacional confere-lhe uma grande originalidade. Estas comunidades serranas, isoladas nos vales das montanhas ou nos planaltos, separadas umas das outras por caminhos de serra de acesso difícil, tiveram que viver por si, bastando-se a si mesmas, pelo que desenvolveram actividades e criaram uma organização social que lhes permitisse ultrapassar as condições hostis que o ambiente lhes proporcionava. Os seus habitantes têm, desde tempos remotos, praticado um ritual de vida em que a pastagem e o gado desempenham um papel preponderante. Por esse facto e para suprirem as necessidades que se lhes depararam, ordenaram o território que ocupam em zonas de pastoreio, de cultivo e de floresta. Desta luta milenária pela sobrevivência resultou um saber de experiência acumulada ao longo dos séculos, traduzido nos usos e costumes, muito dos quais ainda se mantêm. As dificuldades dos trabalhos da agricultura da montanha criaram a tradição, que ainda subsiste, de um comunitarismo de serviços - malha de centeio, forno do povo, moinhos, fojo do lobo, vezeiras (rebanhos) e os espigueiros -, típicas construções de granito normalmente dispostas junto de uma eira comunitária, servindo para armazenar as espigas de milho e protegê-las dos roedores.

Nesta região montanhosa, a orientação diversificada do relevo, as variações bruscas de altitude e a influência dos climas atlântico, mediterrânico e continental dão origem a uma infinidade de microclimas. Estes, associados à constituição essencialmente granítica do solo, criam características particulares, donde resultam aspectos botânicos muito especiais, que conferem ao Parque Nacional da Peneda-Gerês um lugar de primazia em relação à demais flora portuguesa. Em verdade, as condições edafoclimáticas e altimétricas existentes permitem que aqui se encontrem espécies que variam desde as das zonas mediterrânicas e subtropicais até às das euro-siberianas e alpinas. Assim, nas encostas dos vales mais quentes e abrigados aparecem, entre outras, o sobreiro, o medronheiro, o azereiro, o feto-do-gerês, o feto-real e a uva-do-monte. Nas zonas onde se sente mais influência do clima atlântico e em altitudes que podem ir até aos 800-1000 metros surgem as matas de carvalho comum, a que se associa muitas vezes o azevinheiro. Este, podendo subir até aos 1300 metros, toma por vezes porte arbóreo e constitui nalguns casos, por si só, verdadeiras matas. Acima dos 900 metros o carvalho comum cede lugar ao carvalho-negral, ocorrendo também o vidoeiro, espécies já características da zona euro-siberiana, tal como o pinheiro de casquinha e o teixo, localizados em altitude, nos vales mais húmidos e abrigados e representando restos de uma flora pós-glaciar. De entre as espécies alpinas destacam-se o zimbro e a erva divina. Para além de todas as espécies que se encontram no parque, uma dentre elas merece referência especial, pela sua raridade, visto que em todo o mundo apenas aparece numa pequena área desta região o lírio-do-gerês. O valor faunístico da área do Parque da Peneda Gerês é notável pela quantidade e diversidade dos animais dignos de interesse que nela se podem encontrar. Apesar de terem desaparecido, em 1650, o urso-pardo,e, em 1890, a cabra-do-gerês, o isolamento em que permaneceram as altas zonas serranas e as condições favoráveis do meio permitiram que aqui se mantivessem espécies hoje raras e únicas no mundo, como é o caso dos garranos selvagens, que se encontram numa parte da serra do Gerês. Além destes, outros mamíferos estão representados nesta região, dentre os quais se refere o corço, o javali, o lobo, a raposa, a fuinha, o toirão, o texugo, a gineta, e a lontra.

No que respeita à avifauna, encontram-se no parque: a águia-real, a águia-calçada, a águia-de-asa-redonda e o açor, que vivem nas zonas de maior altitude e isoladas. São ainda encontrados: o milhafre-real, o peneireiro, o bufo-real, a coruja-dos-matos, o mocho-de-orelhas-pequenas, além de muitas outras espécies que aqui nidificam ou passam nas épocas migratórias. Também os répteis e os anfíbios aqui se encontram representados com considerável diversidade, referindo-se de entre os primeiros a víbora-negra, a cobra-d'água, a cobra-de-focinho-alto, a cobra-d'água-viperina, e o lagarto-d'água. Dos anfíbios, que vivem nas águas e riachos, encontra-se o quioglossa, a salamandra, o tritão-alaranjado, o tritão-palmado, o tritão-verde, a rã-castanha, a rã-verde, o sapo-parteiro e o sapo-comum. Especial atenção deve ser dada ao cão de Castro Laboreiro, cão pastor muito apreciado pela rusticidade e bravura na guarda de gados e propriedades; a outra, o boi barrosão, de excepcionais qualidades no trabalho e na carne que fornece.

O Parque Natural estende-se por uma região povoada pelo menos desde há 5000 anos, conforme revelam as numerosas mamoas, antas, cistas, sepulturas e outros vestígios históricos. Exemplos importantes da vida e cultura dos povos da pré-história recente são as oito rochas da Bouça do Colado (Lindoso) ou a estátua-menir da Ermida (Ponte da Barca), esta datando do Calcolítico ou da Idade do Bronze. O tipo de povoamentos que a partir do final da Idade do Bronze e na época romana ocuparam e fortificaram a região é exemplificado pelos castros da Calcedónia, do Crestelo (Tourém) e da Ermida. O mais importante vestígio da ocupação militar romana são os restos da VIA.NOVA.A BRAC., a via militar n.º 18 do Itinerarium Antonini, que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga). Esta via percorre parte da serra do Gerês, nas margens do rio Homem, e é localmente conhecida por Geira. Geologicamente é uma área ocupada por extensas manchas de granitos (idades: 298 a 280 milhões de anos) e por pequenas faixas xistosas, de origem sedimentar, atravessadas por numerosos filões de quartzo, de pegmatites graníticas e de dolerites. Existem variadas falhas nas formações rochosas, entre as quais a do vale da Peneda e a do vale do Gerês, esta responsável pelo termalismo das águas daquelas caldas. Os efeitos da glaciação - circos glaciares, moreias, rochas aborregadas - podem observar-se nos pontos mais elevados das serras da Peneda, do Soajo e do Gerês, nos quais existiram glaciares nas cabeceiras de alguns rios (Vez, Homem, Couce-Coucelinho).

Referências do Documento:
  • Parque Nacional da Peneda-Gerês. In Diciopédia 2010 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2009. ISBN: 978-972-0-65265-2

Serra do Gerês